O Google anunciou nesta quinta-feira (20/05), durante o evento I/O, em São Francisco, o sistema Google TV, que une a internet com a televisão. A empresa já trabalha em conjunto com a Sony e a Logitech para colocar o aplicativo nos aparelhos. De acordo com o gerente do produto, Salahuddin Choudhary, os equipamentos devem chegar ao mercado americano ainda este ano.

A ferramenta, que trabalha em conjunto com o navegador Google Chrome, permite que o usuário acesse sites pela TV e alterne entre a programação televisiva e a internet.

“Com toda a internet na sua sala, a TV torna-se mais do que uma TV – pode ser um visualizador de fotos, um console de games, um leitor de músicas e muito mais”, escreveu Choudhary no blog da companhia.

O sistema roda no Android e promete facilitar a busca por programas de televisão. O usuário apenas digita o nome da atração que deseja assistir que o Google TV a encontra. “Se preferir navegar em vez de fazer uma busca, você pode usar o seu guia de programação padrão, o DVR ou o a tela inicial do Google TV, que permite acesso rápido a seus conteúdos preferidos”, explicou Choudhary.

Com informações do G1.

Um homem levanta pela manhã e deve ter em mente o que vai fazer ao longo do dia. Entre as atribuições, ir ao banco pagar algumas contas. Ele é barrado na porta giratória, tem uma discussão com o guarda responsável por aquela entrada na instituição financeira e leva um tiro. É baleado.

A imprensa reage. Entrevistas com a famílias, exemplos de outras instituições financeiras que têm o mesmo procedimento e algumas explicações de como deve ser esse serviço. O que para uns é muito incômodo, mas, segundo os bancos, é para a segurança dos clientes e funcionários.

O que me chamou mesmo a atenção é que especialistas afirmaram que o segurança deveria estar em alto nível de estress. Afinal, pessoas que trabalham neste ramo devem receber treinamento físico e psicológico.

Mas, a minha grande dúvida é: e se o cliente fosse um homem branco, com roupas de grife e não houvesse reivindicado seus direitos (ser educado, para alguns). Receberia o mesmo tratamento? Me indaguei em relação a isso quando vi o noticiário entrevistar a família de Domingos Conceição dos Santos, de 47 anos. Todos afrodescendentes. E depois veio outra dúvida: durante a discussão houve agressões verbais preconceituosas? Não se sabe.. Não foram feitas entrevistas com as pessoas próximas do local. Se foi feito, a questão não foi abordada.

Isso me remete à lembrança do caso em que um homem negro foi confundido com um bandido e espancado em um estacionamento de um supermercado.

Até quando esses “enganos” serão relacionados ao fenótipo?

É revoltante…

A Câmara dos Deputados oferece inscrições até 14 de maio para nova turma do curso de processo legislativo e eleitoral para jornalistas. As aulas, ministradas em Brasília, poderão ser acompanhadas por jornalistas de outros estados com transmissão ao vivo, pela internet.

A abertura ocorrerá em 17 de maio, às 9 horas, com palestra do secretário-geral da Mesa, Mozart Vianna de Paiva. As aulas serão realizadas às segundas e às sextas-feiras, das 9 horas ao meio-dia, entre 17 de maio e 21 de junho.

Para se inscrever, é necessário encaminhar e-mail para imprensa@camara.gov.br, informando nome, veículo, cargo e telefones de contato, ou então ligar para os telefones (61) 3216-1507 ou 3215-8013.

A turma contará com 40 vagas em Brasília, mas as inscrições para o curso a distância são ilimitadas. Para as vagas presenciais, terão prioridade na seleção os jornalistas credenciados no Comitê de Imprensa, que já fazem a cobertura da Câmara ou profissionais de veículos de comunicação ainda não inscritos.

Programa
As aulas serão ministradas pelos consultores da Câmara dos Deputados Ednilton Andrade Pires, no módulo de processo legislativo, e Amandino Teixeira Nunes Junior, no módulo de processo eleitoral. Confira abaixo a programação do curso.

Segunda-feira, 17 de maio
Processo legislativo 1: natureza política do processo legislativo; conceitos básicos.

Sexta-feira, 21 de maio
Processo legislativo 2: visão geral da tramitação; órgãos da Câmara dos Deputados; comissões: apreciação conclusiva; diversos conceitos: apensação, arquivamento, recursos

Segunda-feira, 24 de maio
Processo legislativo 3: tramitação: regimes; princípio da proporcionalidade; votação

Sexta-feira, 28 de maio
Processo legislativo 4: proposições: tipos e características

Segunda-feira, 31 de maio
Processo legislativo 5: tramitações especiais; medidas provisórias; revisão geral

Segunda-feira,  7 de junho
Processo eleitoral 1: Conceito, autonomia, objeto e finalidade do Direito Eleitoral. Fontes e princípios do Direito Eleitoral.  Organização e competência da Justiça Eleitoral. Órgãos da Justiça Eleitoral: Juízes Eleitorais, Juntas Eleitorais, Tribunais Regionais Eleitorais e Tribunal Superior Eleitoral.  Ministério Público Eleitoral.

Sexta-feira,  11 de junho
Origem, conceito, finalidade e natureza dos partidos políticos. Criação, registro, organização e funcionamento dos partidos políticos: programa e estatuto partidários. Filiação, fidelidade e disciplina partidárias.  Fusão, incorporação e extinção dos partidos políticos. Fundo partidário, prestação de contas e acesso gratuito ao rádio e à televisão.

Segunda-feira,  14 de junho
Conceito, natureza e as características do sufrágio e do voto. Conceito e classificação dos sistemas eleitorais: majoritário, proporcional e misto. Condições de elegibilidade e causas de inelegibilidade. Propaganda eleitoral e direito de resposta.

Sexta-feira,  18 de junho
Condutas vedadas aos agentes públicos. Captação ilícita de sufrágio. Representações eleitorais.

Segunda-feira,  21 de junho
Ações eleitorais: ação de impugnação de registro de candidatura (AIRC), ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) e ação de impugnação de mandato eletivo (AIM). Recursos eleitorais: recurso contra a expedição do diploma, recurso ordinário e recurso especial.

Assessoria de Imprensa
Secretaria de Comunicação Social
E-mail: imprensa@camara.gov.br
http://twitter.com/CamaraDeputados
Tel: (61) 3216-1507 / (61) 3216-1506 / (61) 9968-3190

Ontem quando li a reportagem que fala dos povos tradicionais na revista Veja me revoltei. Postei alguns comentários no twitter, mas hoje recebi um artigo muito bom da antropóloga Kelly Oliveira e vou reproduzi-lo aqui.

Bárbara

Os Espertalhões e a Veja

Acabei de ler o artigo da veja “A Farra da Antropologia Oportunista” e fiquei estarrecida com a forma bem articulada e ordenada de encobrir verdades, explicitar
meias palavras e escancarar depoimentos – escolhidos a dedo – de supostas autoridades discursivas.

Como antropóloga e jornalista percebo, como muitos de vocês, o caráter declaradamente parcial da linha editorial da revista, que de fato não pretende se
apresentar
como um meio de comunicação que ponha em discussão os dois ou mais lados de uma questão. Sua pretensão é a da formação de opinião a partir de um
posicionamento parcial,
enfático e carregado de uma expressividade de “dona da verdade”, baseada na longa data de existência e, para grande parte do público que a lê, na suposta
seriedade
de seus artigos – já que não podemos chamar de matéria jornalística escritos tão escancaradamente opinativos como os deste periódico.

Até aí nada de errado, já que a revista se declara abertamente opinativa, não escondendo portanto sua parcialidade. Escrevo, no entanto, a fim de percebermos
a forma
como a revista pega cada uma das informações e cuidadosamente as seleciona para ir além da opinião e distorcer, omitir e comprometer o posicionamento ético
que supostamente
acalenta. Começando com as autoridades discursivas citadas – Mércio Pereira Gomes e Eduardo Viveiros de Castro – que demonstram um olhar não só reconhecidamente
parcial com relação ao processo de fortalecimento de identidades étnicas no país, como tiveram suas frases escolhidas a dedo para corroborar com uma perspectiva
de “originalidade cultural” e de deslegitimação do processo de regularização de territórios indígenas – se é que foram mesmo frases deles, pois o
Viveiros de Castro
já desmentiu a presença de qualquer fala sua no artigo.

Por outro lado, o artigo explicita meias verdades, ao citar no box “índio bom é índio pobre”, o caso de um grupo que, por “culpa” da Funai, teria perdido a
oportunidade
de vender seu território, em troca de 1 milhão de reais para cada família. Ora, sabemos que, por lei as terras indígenas são propriedade da União e de
posse coletiva
dos Guarani, sendo inalienáveis, o que evidentemente – mas não tão evidentemente no artigo – impossibilita qualquer tipo de negociação. Por outro lado,
ficou explícita
a perspectiva preconceituosa como foi caracterizada a liderança do grupo, que segundo a revista é “casada com um caminhoneiro (branco), tem carro, tv, computador,
faz compras no supermercado” – fiquei pensando se ela seria mais poupada se fizesse compras em alguma vendinha local.

São tantas as meias verdades, que parece difícil numerar todas. Temos, por exemplo, o momento em que são citados os Anacé (CE), como grupo que faz macumba
por achar
que seria indígena, o que o artigo trata de declarar como um erro, já que se trataria de um “culto africano”. Omitindo, de forma perspicaz, o fato de que os
grupos
indígenas ao longo dos anos não viveram envoltos em uma bolha cultural, mas estabeleceram relações – de forma enfática naquela região – com populações
de origem
africana, do que derivaram formas culturais ampliadas, englobando a realidade religiosa dessas pessoas.

Curiosamente, ao citar os laudos antropológicos, segundo a Veja elaborados “sem nenhum rigor científico e com claro teor ideológico de uma esquerda que ainda
insiste
em extinguir o capitalismo, imobilizando terras para a produção”, se depõe de forma criminosa – que seria melhor ressaltada através de um processo movido
pela ABA
– contra o trabalho de profissionais que têm no rigor científico sua base de ação, desmerecendo processos reflexivos multidisciplinares, que vão além
da antropologia,
englobando saberes não só das ciências sociais, como também históricos, geográficos, ambientais e jurídicos, para citar apenas algumas das disciplinas
envolvidas
na feição do documento.

Os ataques foram bem alimentados com informações cuidadosamente embaralhadas – como a de englobar em um mesmo percentual (77,6%) as terras indígenas, quilombolas,
assentamentos e reservas florestais, como de áreas improdutivas (e o montante sobe para 90,6% quando incluem cidades e infraestrutura). Fiquei me perguntando o
que,
afinal, seria o que o artigo chama de “território para produção e desenvolvimento”. Porque produtivas as terras indígenas, quilombolas e os assentamentos
também
são, como temos centenas de exemplos. E até mesmo em áreas de preservação, onde está crescendo a consciência de um manejo sustentável para as famílias
que tiram
seu sustento das florestas. Afinal, para quem se geraria renda com o que foi definido como “agronegócio” pela veja? A grandes conglomerados empresariais? A mega
empresários que pouco ou nada trazem em troca para o país, além de seus nomes divulgados na lista dos mais ricos do mundo (e o que afinal isso contribui para
a vida
dos brasileiros???)

A Veja parte de uma imoralidade ética e ofensiva não só às comunidades tradicionais, antropólogos e indigenistas como também ao próprio jornalismo.
Um olhar preconceituoso,
tanto do que seria as comunidades tradicionais e assentados rurais quanto da perspectiva de desenvolvimento, que pelo que pude ver se refere a uma visão elitista
e antiquada, destinada a negócios que gerem renda para a pequena parcela de privilegiados economicamente. Desmerecendo inclusive a crescente onda de valorização
pela comunidade internacional do trabalho familiar e do comércio responsável, que incentiva a produção local e o manejo tradicional de recursos naturais.

Beira a vergonha a forma escancarada como se ataca os personagens apresentados na matéria, e como se transforma uma reivindicação que, evidentemente, tem também
seu caráter político, em uma estratégia de “espertalhões”, para se apossarem de terras que poderiam estar nas mãos produtivas do “agronegócio”. Uma jogada
de mestre
desta revista, que transforma a reivindicação de grupos tradicionais em um simples jogo por dinheiro, e que coloca os “cidadãos brasileiros” como vítimas
de índios,
quilombolas e assentados – que, pelo visto, não são brasileiros, e muito menos cidadãos.

Kelly Oliveira

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