No próximo 20 de novembro, data em que se comemora o Dia da Consciência Negra no Brasil, o presidente Lula assina 30 decretos de regularização de territórios quilombolas em 14 estados brasileiros durante uma cerimônia em comemoração a data. O evento, que contará com a presença do presidente do Incra, Rolf Hackbart, está marcado para às 17h, na Praça Castro Alves, no Centro Histórico de Salvador (BA).

Segundo Hackbart, a assinatura dos decretos representa um marco histórico no reconhecimento legal da regularização fundiária de comunidades quilombolas no País, além de reparar uma dívida histórica e social. “Quando o Estado reconhece o direito à propriedade das comunidades quilombolas, repara uma dívida social histórica dando aos quilombolas cidadania e o direito de permanência das comunidades negras em seu território historicamente ocupado”, afirma.

No total, mais de 342 mil hectares de área estão sendo regularizados. Com este ato, 3.818 famílias descendentes dos quilombos serão beneficiadas com o reconhecimento, por meio da declaração de interesse social, do território que ocupam e que seus antepassados ocuparam se refugiando do regime de escravidão.

A partir destes decretos é possível dar inicio aos processos de avaliação dos imóveis que, após a indenização aos proprietários, permitirá que as famílias tenham acesso a todo território e posteriormente tenham o título de domínio definitivo de suas terras, que é coletivo e inalienável.

O título coletivo da terra carrega a possibilidade de levar as políticas públicas básicas, como as desenvolvidas pelo Bolsa Família, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por exemplo, a essas comunidades.

O Incra e a titulação quilombola no Brasil

A Constituição Federal, no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, assegura aos remanescentes das comunidades dos quilombos a propriedade definitiva das terras ocupadas, cabendo ao Estado a emissão dos títulos.

O norteamento legal dado pela Constituição foi detalhado com o Decreto 4.887, de 2003, a partir do qual o Incra ficou incumbido de realizar os procedimentos administrativos necessários à titulação dessas áreas. Antes do decreto, era o Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares (FCP), o órgão responsável pela aplicação das políticas voltadas aos remanescentes de quilombo.

Porém, a Fundação encontrava dificuldade em executar plenamente sua atribuição por não possuir instrumentos que possibilitassem a desintrusão, por meio da desapropriação, da população não quilombola incidente nos territórios. A partir do decreto de 2003, o Incra ficou incumbido da identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos.

Para cuidar dos processos de titulação, o Incra criou, na sua Diretoria de Ordenamento da Estrutura Fundiária, a Coordenação Geral de Regularização de Territórios Quilombolas (DFQ) e nas superintendências regionais, os Serviços de Regularização de Territórios Quilombolas.

De 2003 a 2009 foram expedidos 59 títulos regularizando 174.471 hectares em benefício de 53 territórios e 4.133 famílias quilombolas. Atualmente, existem 851 processos em praticamente todas as superintendências do Incra. Até hoje, já foram publicados 90 editais de Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID), o que significa a identificação de 1.327.641 hectares, em benefício de 11.656 famílias.

Por muitas décadas, estas famílias ficaram totalmente a margem do desenvolvimento. “É como se elas não existissem ou não tivessem os mesmos direitos dos outros cidadãos brasileiros. E, apesar das adversidades sem fim, essa gente foi sobrevivendo sem água encanada, sem saneamento, sem luz, sem estrada, sem apoio para produzir”, lembra Hackbart.

Deu no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário

A marginalização das populações indígenas e afro-brasileiras prejudica o progresso do Brasil, disse nesta sexta-feira a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Navi Pillay.

“Milhões de afro-brasileiros e indígenas estão atolados na pobreza e não têm acesso a serviços básicos e a oportunidades de emprego. Até que isto mude, esta situação vai prejudicar o progresso do Brasil em muitas outras frentes”, disse ela, que visitou os Estados da Bahia e do Rio de Janeiro entre 7 e 13 de novembro.

“Pedi a funcionários em todos os níveis de Governo que se concentrassem na plena aplicação das leis, em planos e políticas para combater a discriminação, inclusive por meio da realização de pesquisas e avaliações.”

“Mais uma vez, as medidas fundamentais existem, mas elas não estão sendo adequadamente aplicadas”, disse ela.

Problemas

Para a alta comissária, a marginalização fica clara pela pequena quantidade de representantes negros e indígenas no governo.

“A maior parte dos povos indígenas do Brasil não está se beneficiando do impressionante progresso econômico do país e está sendo retida na pobreza pela discriminação e indiferença, expulsa de suas terras pela armadilha do trabalho forçado”, disse ela em Brasília.

“Mesmo a grande população afro-brasileira está enfrentando problemas semelhantes em termos de implementação de programas socioeconômicos e discriminação, que os impede de concorrer em igualdade de condições com outros brasileiros.”

Outro problema apontado foi o do “uso excessivo de força policial”, que teria como suas maiores vítimas os negros.
“Reconheço perfeitamente as dificuldades enfrentadas pela polícia quando ela tenta manter a lei e a ordem. Eles também têm sofrido baixas demais – incluindo os três policiais que morreram recentemente, quando seu helicóptero foi abatido. Eles também estão deixando viúvas e órfãos, e estão sendo privados de seu direito humano mais fundamental, o direito à vida.”

“Mas a maneira de parar com a violência não é recorrendo à violência. Em vez disso, é necessário ganhar a confiança das comunidades onde a violência está acontecendo. Um elemento-chave para ganhar a confiança é aplicar a justiça de forma justa”, afirmou.

Fonte: BBC Brasil

Combater a mídia racista e consolidar os meios de comunicação sob posse da comunidade negra são os objetivos da I Conferência Livre de Comunicação da População Negra da Bahia, nesta sexta-feira, 13 de novembro, a partir das 17 horas, no auditório do Conselho de Desenvolvimento das Comunidades Negras do Estado da Bahia (CDCN), na rua Ribeira Santos, n° 42, Carmo, Pelourinho.

A atividade é preparatória para I Conferência Nacional de Comunicação com etapa estadual marcada para os dias 14 e 15 de novembro na Fundação Luís Eduardo Magalhães, em Salvador e tem a meta de firmar carta com propostas imediatas para temas como: ampliação da distribuição das concessões de radiodifusão, combater a ausência de investimentos públicos para produção de mídia diversa e plural, exigir a efetivação de mecanismos de controle público aos abusos cometidos pelos grandes meios e universalizar o acessos as novas tecnologias de comunicação.

Na abertura da Conferência Livre será exibido o documentário A Negação do Brasil: o negro na telenovela, dirigido por Joel Zito Araújo. O longa discorre sobre a representação dos afrodescendentes no produto cultural mais assistido pelos brasileiros na tevê.

Logo após será aberta uma roda de diálogo com as participações: Paulo Rogério, do Instituto de Mídia Étnica, no qual fará um histórico das reivindicações pela efetivação do direito à comunicação em nível nacional e estadual e as deformações no capítulo da comunicação no Estatuto da Igualdade Racial a ser assinado no dia 20 de novembro em Salvador; DJ Branco, da CMA HipHop, defenderá a importância do acesso as concessões de radiodifusão e da ausência de investimentos na produção cultural dos negros e negras; Elenira Onijá, produtora cultural, defenderá a importância do controle publico dos meios de comunicação; já Pedro Caribé, do Coletivo Intervozes, apresentará um panorama da Confecom com os interesses, limites e potencialidades em jogo.

Por Vanessa Ruiz

O apagão de 2009, passado na noite de ontem, foi uma boa mostra das benesses e limites do conteúdo colaborativo, e de qual a diferença entre relatar o que se vê e fazer o que chamamos de “jornalismo“.

Logo que teve início a queda de transmissão de energia elétrica em áreas de pelo menos onze estados do Brasil mais Paraguai, às 22h13, começaram a pipocar no Twitter os relatos de pessoas em todo o país informando a “falta de luz” em suas regiões. Ficou claro, imediatamente, que não se tratava de um problema no centro de São Paulo, por exemplo, onde eu estava naquele momento, na redação da CBN/Rádio Globo. José Roberto Toledo (ou @zerotoledo) avaliava lucidamente que “o Twitter foi a lanterna noticiosa do #apagao: mais ágil e até mais preciso do que muitos meios tradicionais”. Como plataforma, funcionou melhor do que a de muitos sites, que saíram do ar, e de emissoras de televisão que, mesmo funcionando com gerador, não tinham como fazer a programação chegar a seu destino por motivos óbvios. Sobraram os celulares que não saíram do ar, laptops com bateria ligados direto na rede e os rádios de pilha.

Enquanto alguns twitteiros com grande número de seguidores faziam sua parte retransmitindo as mensagens que recebiam vindas de locais diversos, notava-se também que alguns deles repassavam o que era dito em entrevistas ouvidas no rádio e na televisão, quando tinham acesso a ela.

 

Este post é simples e terminará quando encerrar este parágrafo. Não discuto aqui o Twitter, mas o uso do conteúdo colaborativo. Ele ajuda a investigar, mas não é a investigação em si. Fazer jornalismo é apurar e não só repetir, repassar, retwittar, que seja. Procurar as autoridades, especialistas que ajudassem a explicar ao público o funcionamento de determinados sistemas; obter e analisar respostas cabíveis e não qualquer explicação chapa-branca que @usina_itaipu poderia dar, por exemplo; orientar a população a partir disto tudo não é tarefa fácil. Requer preparo, discernimento, experiência. É possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interssem pelo jornalismo e queiram aprender a fazê-lo, o que seria extremamente positivo. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo.

PS: Ainda acredito que o crowdsourcing atingirá níveis muito mais extensos de troca de informação, mas é preciso que um número maior de pessoas esteja online e, mais do que isso, participando ativamente da rede, gerando conteúdo e não só consumindo.

 

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