Um homem levanta pela manhã e deve ter em mente o que vai fazer ao longo do dia. Entre as atribuições, ir ao banco pagar algumas contas. Ele é barrado na porta giratória, tem uma discussão com o guarda responsável por aquela entrada na instituição financeira e leva um tiro. É baleado.

A imprensa reage. Entrevistas com a famílias, exemplos de outras instituições financeiras que têm o mesmo procedimento e algumas explicações de como deve ser esse serviço. O que para uns é muito incômodo, mas, segundo os bancos, é para a segurança dos clientes e funcionários.

O que me chamou mesmo a atenção é que especialistas afirmaram que o segurança deveria estar em alto nível de estress. Afinal, pessoas que trabalham neste ramo devem receber treinamento físico e psicológico.

Mas, a minha grande dúvida é: e se o cliente fosse um homem branco, com roupas de grife e não houvesse reivindicado seus direitos (ser educado, para alguns). Receberia o mesmo tratamento? Me indaguei em relação a isso quando vi o noticiário entrevistar a família de Domingos Conceição dos Santos, de 47 anos. Todos afrodescendentes. E depois veio outra dúvida: durante a discussão houve agressões verbais preconceituosas? Não se sabe.. Não foram feitas entrevistas com as pessoas próximas do local. Se foi feito, a questão não foi abordada.

Isso me remete à lembrança do caso em que um homem negro foi confundido com um bandido e espancado em um estacionamento de um supermercado.

Até quando esses “enganos” serão relacionados ao fenótipo?

É revoltante…