Um homem levanta pela manhã e deve ter em mente o que vai fazer ao longo do dia. Entre as atribuições, ir ao banco pagar algumas contas. Ele é barrado na porta giratória, tem uma discussão com o guarda responsável por aquela entrada na instituição financeira e leva um tiro. É baleado.
A imprensa reage. Entrevistas com a famílias, exemplos de outras instituições financeiras que têm o mesmo procedimento e algumas explicações de como deve ser esse serviço. O que para uns é muito incômodo, mas, segundo os bancos, é para a segurança dos clientes e funcionários.
O que me chamou mesmo a atenção é que especialistas afirmaram que o segurança deveria estar em alto nível de estress. Afinal, pessoas que trabalham neste ramo devem receber treinamento físico e psicológico.
Mas, a minha grande dúvida é: e se o cliente fosse um homem branco, com roupas de grife e não houvesse reivindicado seus direitos (ser educado, para alguns). Receberia o mesmo tratamento? Me indaguei em relação a isso quando vi o noticiário entrevistar a família de Domingos Conceição dos Santos, de 47 anos. Todos afrodescendentes. E depois veio outra dúvida: durante a discussão houve agressões verbais preconceituosas? Não se sabe.. Não foram feitas entrevistas com as pessoas próximas do local. Se foi feito, a questão não foi abordada.
Isso me remete à lembrança do caso em que um homem negro foi confundido com um bandido e espancado em um estacionamento de um supermercado.
Até quando esses “enganos” serão relacionados ao fenótipo?
É revoltante…
11/05/2010 at 19:17
Não acredito que seja um fato motivado por preconceito racial. Esse, somado ao preconceito social, deve ter endoçado outros motivos, como provavelmente, estress profissional.
É inadiável que posturas profissionais, salários, procedimento patronal em relação a subalternos, sejam avaliados.
O vigilante, talvez, desforrou um ódio contido e cultivado no dia-a-dia em seu local de trabalho ou empresa.