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A marginalização das populações indígenas e afro-brasileiras prejudica o progresso do Brasil, disse nesta sexta-feira a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Navi Pillay.

“Milhões de afro-brasileiros e indígenas estão atolados na pobreza e não têm acesso a serviços básicos e a oportunidades de emprego. Até que isto mude, esta situação vai prejudicar o progresso do Brasil em muitas outras frentes”, disse ela, que visitou os Estados da Bahia e do Rio de Janeiro entre 7 e 13 de novembro.

“Pedi a funcionários em todos os níveis de Governo que se concentrassem na plena aplicação das leis, em planos e políticas para combater a discriminação, inclusive por meio da realização de pesquisas e avaliações.”

“Mais uma vez, as medidas fundamentais existem, mas elas não estão sendo adequadamente aplicadas”, disse ela.

Problemas

Para a alta comissária, a marginalização fica clara pela pequena quantidade de representantes negros e indígenas no governo.

“A maior parte dos povos indígenas do Brasil não está se beneficiando do impressionante progresso econômico do país e está sendo retida na pobreza pela discriminação e indiferença, expulsa de suas terras pela armadilha do trabalho forçado”, disse ela em Brasília.

“Mesmo a grande população afro-brasileira está enfrentando problemas semelhantes em termos de implementação de programas socioeconômicos e discriminação, que os impede de concorrer em igualdade de condições com outros brasileiros.”

Outro problema apontado foi o do “uso excessivo de força policial”, que teria como suas maiores vítimas os negros.
“Reconheço perfeitamente as dificuldades enfrentadas pela polícia quando ela tenta manter a lei e a ordem. Eles também têm sofrido baixas demais – incluindo os três policiais que morreram recentemente, quando seu helicóptero foi abatido. Eles também estão deixando viúvas e órfãos, e estão sendo privados de seu direito humano mais fundamental, o direito à vida.”

“Mas a maneira de parar com a violência não é recorrendo à violência. Em vez disso, é necessário ganhar a confiança das comunidades onde a violência está acontecendo. Um elemento-chave para ganhar a confiança é aplicar a justiça de forma justa”, afirmou.

Fonte: BBC Brasil

De 25 a 28 de junho, Brasília será a sede da II Conferência Nacional de Igualdade Racial (II Conapir), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Um dos destaques do encontro, que reunirá cerca de 1.500 pessoas de todo o País, será o evento Diálogos com a ONU – Igualdade Racial, espaço destinado à interação entre o Sistema das Nações Unidas no Brasil e lideranças afrodescendentes, indígenas e de mulheres.

O diálogo entre representantes da sociedade civil e das Nações Unidas terá início às 18h30 do dia 26, no primeiro andar do Centro de Convenções. A abertura do evento será feita pelo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e pela coordenadora-residente da ONU no Brasil, Kim Bolduc. A representante do UNICEF no País, Marie-Pierre Poirier, abrirá os debates, que contarão com a moderação do representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny.

Objetivos do Milênio
Diálogos com a ONU – Igualdade Racial
é uma iniciativa do Grupo Temático de Gênero e Raça das Nações Unidas em resposta à solicitação apresentada por lideranças negras, indígenas e de mulheres. O encontro tem por objetivo intensificar a troca de informação e a atualização sobre ações e abordagens adotadas para o enfrentamento do racismo e do sexismo na sociedade brasileira.

Criado para garantir a operacionalização das recomendações e implementação dos compromissos firmados nas Conferências Internacionais da ONU sobre Racismo, o Grupo Temático Gênero e Raça articula e integra as diversas iniciativas das Nações Unidas no Brasil para promoção da igualdade étnico-racial e de gênero, tanto internamente como no âmbito das parcerias com sociedade civil e governos.

Integram as metas do Grupo a ampliação do debate e a reflexão conjunta sobre os desafios do Brasil e demais países no enfrentamento e redução das desigualdades raciais, étnicas e de gênero, medidas necessárias para o efetivo cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

A Conferência
A II Conapir será aberta no dia 25, às 18h, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro Edson Santos e autoridades do governo federal. Divididos em seis eixos centrais – Terra; Educação; Trabalho e Renda; Segurança e Justiça; Saúde; e Políticas Internacionais –, os temas da Conferência serão debatidos por meio de painéis e grupos de trabalho que reunirão representantes do poder público e de movimentos sociais.

Entre os debates previstos, estão a abordagem de temas como cotas no ensino superior, terras quilombola, programas de saúde específicos para a população negra, combate ao racismo institucional e respeito às religiões de matrizes africanas. Demandas dos povos indígenas e de etnia cigana também serão tratadas no encontro. O relatório final da II Conapir será apresentado e votado na plenária final, dia 28, entre 14h e 18h.

Mais informações: http://www.conapir2009.com.br/

WASHINGTON, EUA (AFP) – O New York Times e o Washington Post, dois dos maiores e mais respeitados jornais dos Estados Unidos, anunciaram nesta quinta-feira um novo plano de demissões voluntárias, diante de mais uma queda da renda com anúncios.

O NYTimes informou que sua casa matriz, a Times Co., deve reduzir em 5% o salário da maioria de seus funcionários durante um período de nove meses a partir de abril, em troca de 10 dias extras de férias, além do corte de 100 jornalistas (cerca de 5% do efetivo total do jornal).

O salário 5% menor também será aplicado para funcionários do Boston Globe, enquanto outros jornais do grupo terão reduções de 2,5%.

No final de 2008, o grupo Times Co. contava com 9.346 funcionários, contra 10.710 dois anos atrás.

O Washington Post, por sua vez, indicou que também estabelecerá um novo plano de demissões voluntárias, o segundo em um ano, para reduzir custos. O jornal disse que o plano anterior foi proposto a empregados de pelo 50 anos de idade e cinco de casa.

O WP informou ainda que 231 funcionários se demitiram voluntariamente em 2008, e que sua redação conta atualmente com 700 pessoas.

O jornalista que ler um jornal europeu certamente vai notar uma diferença clara de estilo dos periódicos brasileiros ou norte-americanos. Acostumado à pirâmide invertida, o profissional percebe facilmente o estilo narrativo empregado no velho continente.

“O jornalismo americano é mais objetivo, menos analítico e opinativo, baseado no lide e na pirâmide invertida, enquanto o europeu é mais narrativo, analítico e opinativo”, explica a jornalista Mariana Duccini, mestre e doutoranda em Ciências da Comunicação pela USP e professora do curso de pós-graduação em Estudos da Linguagem da Universidade de Mogi das Cruzes, SP (UMC).

Mariana, que também ministra o curso de Redação e Estilo para Jornais e Revistas, pela Escola de Comunicação do Comunique-se, explica a diferença de estilo. “O que diferencia as duas escolas não é o fator geográfico, é uma questão de estilo. Como exemplo nós temos o jornal El Pais, que é espanhol, mas segue o estilo norte-americano de jornalismo”, conta.

Mariana Duccini acredita que o profissional brasileiro tem certa dificuldade para escrever no estilo europeu, mais narrativo, porque os jornalistas são treinados para seguir o lide, a pirâmide invertida, o máximo de objetividade.

“O jornalista brasileiro tem uma dificuldade que é intrínseca, mas uma mescla dos dois estilos é possível. É claro que existe uma limitação de acordo com a empresa, a linha editorial, isso restringe um pouco, mas é possível”, conclui.

As diferenças básicas entre os dois estilos:

Escola européia
Conceitos de “honestidade” e “lealdade”, em vez de “objetividade”;
Caráter mais opinativo e analítico;
Hierarquização menos rígida das informações.

Escola norte-americana
Conceito de “objetividade”;
O lead ou as seis questões fundamentais: O quê?, Quem?, Quando?, Como?, Onde? e Por quê? (rigidamente hierarquizadas);
Gradação das informações: o modelo da pirâmide invertida.

Fonte: Comunique-se
www.comunique-se.com.br

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