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O Nós da Comunicação realiza o chat ‘Cibercultura: conexões entre comunicação, tecnologia digital e comportamento’, no dia 8, às 15h, com Henrique Antoun, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ele é coordenador do grupo de pesquisa Cibercult e secretário executivo da Abciber – Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura. Com pós-doutorado no McLuhan Program in Culture and Technology da Universidade de Toronto, Antoun é coordenador do grupo de trabalho “Comunicação e Cibercultura” da Compôs – Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação.

http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_ciclo.asp

Por Elisa Andries, Informe ENSP

Índios Xavante, da aldeia Pimentel Barbosa, no norte de Mato Grosso, utilizarão a tecnologia como importante aliada para preservar e disseminar o conhecimento tradicional de seu povo.  Em parceria inédita, a ENSP/Fiocruz e o Museu do Índio/Funai estão treinando jovens Xavante para utilizar câmeras de vídeo e de fotografia digitais e programa de publicação na internet para registrar em um sítio eletrônico a cultura indígena – alimentação, música, dança, confecção de indumentárias etc. – a partir de um centro de documentação, que será inaugurado na aldeia em 2010, com computadores e outros equipamentos digitais. Os índios ficarão duas semanas no Rio de Janeiro em treinamento, acompanhados pelo cacique Tsuptó Buprewên Wa’iri Xavante e por dois dos representantes mais velhos da aldeia.

A aldeia Pimentel Barbosa está localizada na região norte do estado de Mato Grosso, tem uma população de 380 pessoas e é a aldeia-mãe das oito que existem na reserva.

Segundo o cacique, os índios ainda preservam o hábito de as mulheres fazerem a comida enquanto o marido sai para caçar. As mulheres da aldeia também têm outras atividades, como a coleta, enquanto os homens caçam e pescam. As crianças, por sua vez, têm aulas na língua nativa, em primeiro lugar, e também de português.

“Acreditamos que as crianças devam conhecer suas origens, sua identidade e, só depois, aprender o português. Estamos tomando consciência de que é preciso preservar as tradições e os costumes do nosso povo. Mas isso também serve para todas as etnias. O espírito da força e da criação está em tudo isso. Se um povo não tiver espírito e não preservar suas tradições, pode por tudo a perder. Quem não tiver tudo isso irá desaparecer”, disse Buprewên Wa’iri Xavante.

Por Vanessa Ruiz

O apagão de 2009, passado na noite de ontem, foi uma boa mostra das benesses e limites do conteúdo colaborativo, e de qual a diferença entre relatar o que se vê e fazer o que chamamos de “jornalismo“.

Logo que teve início a queda de transmissão de energia elétrica em áreas de pelo menos onze estados do Brasil mais Paraguai, às 22h13, começaram a pipocar no Twitter os relatos de pessoas em todo o país informando a “falta de luz” em suas regiões. Ficou claro, imediatamente, que não se tratava de um problema no centro de São Paulo, por exemplo, onde eu estava naquele momento, na redação da CBN/Rádio Globo. José Roberto Toledo (ou @zerotoledo) avaliava lucidamente que “o Twitter foi a lanterna noticiosa do #apagao: mais ágil e até mais preciso do que muitos meios tradicionais”. Como plataforma, funcionou melhor do que a de muitos sites, que saíram do ar, e de emissoras de televisão que, mesmo funcionando com gerador, não tinham como fazer a programação chegar a seu destino por motivos óbvios. Sobraram os celulares que não saíram do ar, laptops com bateria ligados direto na rede e os rádios de pilha.

Enquanto alguns twitteiros com grande número de seguidores faziam sua parte retransmitindo as mensagens que recebiam vindas de locais diversos, notava-se também que alguns deles repassavam o que era dito em entrevistas ouvidas no rádio e na televisão, quando tinham acesso a ela.

 

Este post é simples e terminará quando encerrar este parágrafo. Não discuto aqui o Twitter, mas o uso do conteúdo colaborativo. Ele ajuda a investigar, mas não é a investigação em si. Fazer jornalismo é apurar e não só repetir, repassar, retwittar, que seja. Procurar as autoridades, especialistas que ajudassem a explicar ao público o funcionamento de determinados sistemas; obter e analisar respostas cabíveis e não qualquer explicação chapa-branca que @usina_itaipu poderia dar, por exemplo; orientar a população a partir disto tudo não é tarefa fácil. Requer preparo, discernimento, experiência. É possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interssem pelo jornalismo e queiram aprender a fazê-lo, o que seria extremamente positivo. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo.

PS: Ainda acredito que o crowdsourcing atingirá níveis muito mais extensos de troca de informação, mas é preciso que um número maior de pessoas esteja online e, mais do que isso, participando ativamente da rede, gerando conteúdo e não só consumindo.

 

Por Emir Sader, da Agência Carta Maior

Os grãos-tucanos, entre eles o próprio presidente, fizeram tudo o que puderam para censurar a internet. Um colunista da empresa dos Frias vem perguntar “como me livro da internet livre”? Fica clara a resposta: terminando com a internet livre – isso o que pedem e outros.

Mas quem tem medo da internet? Por que tem gente com medo da internet? É uma pergunta que todos nos devemos fazer, para entendermos o tipo de “democracia” que eles pregam.

A isso haveria que acrescentar a perguntar que, nem por ter vindo de Sarney, deixa de ser pertinente: Quem elegeu os donos das empresas monopolistas da mídia? Quem escolheu Otavio Frias Filho, foi seu pai. Da mesma forma as famílias Mesquita, Marinho e Civitas fazem passar de pai para filho. Quem votou por eles? O dinheiro, que permitiu a essas famílias montar uma empresa de mídia, situação que está vedada ao resto dos brasileiros. Aceitariam eles se submeter a um referendo público?

Medo da internet – que os fez torcer, calados, para não aparecer publicamente como estavam a favor da aprovação da censura na internet – tem os que detêm e goza dos privilégios do monopólio. São afetados pelas noticias semanais não somente sobre a crise financeira da mídia tradicional – a receita de publicidade dos jornais norteamericanos caiu 29% só na primeira metade deste ano -, mas também da sua credibilidade: quase dois terços dos nortemaericanos desconfiam das noticias divulgadas pelo jornalismo, o índice de credibilidade mais baixo desde que o Pewe Research Center começou a fazer esse tipo de pesquisa, em 1985.

Respondamos cancelando a assinatura dos seus jornais, deixando de ver seus programas de rádio e televisão. Mostrando como a internet nos permite informar-nos de maneira muito mais pluralista. Na internet se pode ler aos jornais que nos interessam, de qualquer lugar do mundo, interagindo, opinando, criando novos espaços.

Tenhamos claro que os que têm medo da internet são os que usufruem dos monopólios, os que se submetem aos patrões que lhes pagam salários e lhes garantem espaços de que eles acreditavam que dependeríamos para conhecer o Brasil e o mundo. São os que acusam governos, partidos, movimentos sociais, de não serem democráticos, mas estão a favor da censura e da ditadura, como agora fica claro.

Quem têm medo da internet, têm medo da democracia, têm medo da cidadania, têm medo do povo. Têm medo de ser derrotado de novo nas urnas. Têm medo de que o povo, uma vez mais, como declarou um deles, “derrote a opinião pública”. Opinião pública que, nas palavras do Millor, quando não era empregado dos Civita e tinha graça: “Opinião pública é a opinião que se publica”. Prezam uma falta opinião pública. Têm medo da internet, porque ela faz com que o que se publique não seja apenas o que eles decidem. Viva a internet, viva a democracia, viva o pluralismo.

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